Estratégias para evitar transfusão de sangue em palestra médica em Bagé

Aconteceu nas dependências do Mercado Gourmet, do Hotel Obino, na noite da última sexta-feira (23), evento da área de saúde que reuniu cerca de 100 pessoas com interesse em expandir os conhecimentos sobre estratégias clínicas e cirúrgicas que reduzem transfusões de sangue. Na ocasião, explanaram sobre o tema médicos renomados no assunto como Dr. Gustavo Sisson, com experiência de mais de 30 anos, e o obstetra Dr. Wagner Homero, onde apontaram caminhos de sucesso que estão sendo usados em várias partes do mundo.

 

Tratamento sem sangue em lugares com poucos recursos e Manejo do Sangue em Trauma e Emergência foram apenas alguns dos pontos altos da noite que se harmonizava com o ambiente requintado do Mercado. Já a fala do representante da Comissão de Ligação com os Hospitais - COLIH, Dr. Urbano Machado, abordou o tema sobre a função do grupo em relação médico e paciente. No final do ciclo de palestras foi servido um coffee-break para os convidados.

 

VOCÊ SABIA QUE A TRANSFUSÃO DE SANGUE PODE SER EVITADA?

 

No Brasil, as transfusões aumentam 1% ao ano, enquanto as doações crescem cerca de 0,5%. Há uma estimativa de que, em 2030, haverá um déficit de 1 milhão de bolsas coletadas. Segundo os médicos Gustavo Sisson e Wagner Homero, para fazer essas contas fecharem, o país precisa parar de desperdiçar sangue. E, para isso, existem três princípios: tratar toda e qualquer anemia que o paciente tenha; evitar ou minimizar toda e qualquer perda de sangue durante as cirurgias, cauterizando vasinhos rompidos; saber se o paciente tolera anemia, pois, muitas vezes, mesmo com a hemoglobina baixa, o paciente continua bem. “Um artigo publicado recentemente pelo dr. Gavin J. Murphy na revista Circulation, por exemplo, mostra que pacientes que receberam transfusões de sangue demoravam mais tempo para ter alta dos hospitais; tiveram índices mais altos de mortalidade e estavam mais suscetíveis a infecções e doenças pós-operatórias isquêmicas. Também temos observado isso nos hospitais aqui no Brasil”, ressaltou o ginecologista Wagner Homero. Ainda segundo Homero, algumas alternativas à transfusão podem ser adotadas, como:

– Máquinas capazes de reaproveitar o sangue do próprio paciente, evitando perdas desnecessárias e ainda trazendo o benefício de devolver sangue com o próprio DNA do paciente, evitando assim reações imunológicas e inflamatórias;

– Evitar coletas excessivas de sangue, por exemplo, um paciente internado na UTI, às vezes, chega a realizar três coletas de sangue por dia, se cada coleta retira de 3 a 10 ml. Em menos de 10 dias, ele precisará de uma transfusão;

– Medicamentos de uso endovenoso e tópicos para parar sangramento, que auxiliam no combate a uma possível hemorragia, que poderia demandar uma transfusão;

– Estudos comprovam que as pessoas têm resistência à anemia, mas, infelizmente, alguns médicos ainda não têm esse conhecimento. Nesses casos, a transfusão pode ser evitada;

– Técnicas cirúrgicas como a hemostasia meticulosa e a anestesia hipotensiva permitem que o paciente fique com a pressão um pouco mais baixa, o que vai resultar em uma menor perda de sangue.